sexta-feira, 5 de setembro de 2008

CHICO DO BRASIL


mulheres da janela


anna e bárbara

CHICo por mARCUS




Ouço nossos sambas, reis, novelas.O Brasil é uma estrela lusitana, a mais bela, portentosa.De cinco mulheres que eu conheço,15 revelam seus segredos,Destrambelham seus canonosos pais,Colocam-se diante da pia,Põe-se a lavar ovos,Quando Chico canta,Um pouco sujo,Mesmo perneta.Supremus.Supremus.Chico Buarque de Holanda.Algumas coisas se fizeram aqui neste quintal,Ao som de seu magnífico atabaque.A mulher é sangue.Tenho vergonha das minhas pernas.Estrangeiro, sou um estrangeiro num país de pernas pretasE escolas de samba.A mulher diz:
- Amo Chico Buarque.
Ela não sabe que ao amar Chico,Ama uma indecência.A escravatura brasileira escritaSobre a base de um rito de escrever as negras.Nossa cultura.Grandes florestas da Ameríndia.A coroação portuguesa.A América escrita em espanhol.Um sotaque de autoridade.A intensa vaidade.O que éChico Buarque? Uma negra comida por trás:
- A indecência nacional transmutada em beleza.
A glória, as glórias nunca serão estanques.O ponto crítico que é o Rio de Janeiro,Esta estranha alegoria.Buarque.Pertenço aos de Holanda.“Tanto horror e iniqüidade” e putaria.Fria, a filha do senhor dono de negrosÉ fria.
- Hoje, a pátria tem bunda.
Morenas pias,Saborosas,Como frutas melequentas.Estrela fria, te orienta.Hoje, o sabor de alforria organiza o movimento.
- Brasil, eu amo tuas filhas!
Batismos de fogo e tristezas.Meu padroeiro de braços abertosSobre o Rio de Janeiro.Salvações crísticas.Ninguém tem certeza com Maria.O gado está bento.Ave, a filha que o sol queimou,Que me dá seus peitos.Subcristianismo tropical.
- Queremos,Porque queremos,O charme,O sossegoDesse Deus gregoDe olhos vítreos.Deus, salve as MariasTodas filhas deFrancisco.Água nos olhos,Sal na boca.A escrita sônica.As sereias.A verde saudadePor águas tão fundas.




Marcus Minuzzi, poeta, jornalista, professor.


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