domingo, 7 de dezembro de 2008

o malandro



“A vasta obra de Chico Buarque é marcada pelo apuro da linguagem,

a sensibilidade, ironia e complexidade das imagens, e pelas diversas

sonoridades que compõem seu universo poético. Assim como numa

delicada construção onde, ao retirarmos algum pilar, há o risco do

prédio inteiro sucumbir, aqui também, ao reordenarmos esses

fragmentos, tínhamos tal receio. Porém a expectativa de criar

uma nova arquitetura para a encenação nos fez contorná-lo,

numa busca para chegarmos o mais próximo possível do espírito

desse 'artista brasileiro'."
Diones Camargo

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

“ Chico é sobretudo, seu artesanato artístico.
Ourives da palavra, florista dos desejos,
cuja poesia, a um só tempo,
chama pra luta, aflita,
e quer madrugar/ na Bodeguita.”
Chico Alencar

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

FANTASIA




Bocas que se aproximam

e se afastam.

Mulheres saindo de dentro de mulheres.

A fantasia em Buarqueanas desliza pelo corpo, o gozo,

a transgressão, o excesso, a mestiçagem e a mulher

como evolução da liberdade.

Numa estrutura circular na qual

se termina ou não se termina onde começa

ou não se

começa.

Um movimento orgânico e

contínuo de vestir-se, de se

despir para novamente se vestir.

A eterna espiral presente na

obra buarqueana, aqui ganha

a cena e apresenta a vida,

“com sua doçura quebradiça e sua grandeza de fumaça”.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

CHICO DO BRASIL


mulheres da janela


anna e bárbara

CHICo por mARCUS




Ouço nossos sambas, reis, novelas.O Brasil é uma estrela lusitana, a mais bela, portentosa.De cinco mulheres que eu conheço,15 revelam seus segredos,Destrambelham seus canonosos pais,Colocam-se diante da pia,Põe-se a lavar ovos,Quando Chico canta,Um pouco sujo,Mesmo perneta.Supremus.Supremus.Chico Buarque de Holanda.Algumas coisas se fizeram aqui neste quintal,Ao som de seu magnífico atabaque.A mulher é sangue.Tenho vergonha das minhas pernas.Estrangeiro, sou um estrangeiro num país de pernas pretasE escolas de samba.A mulher diz:
- Amo Chico Buarque.
Ela não sabe que ao amar Chico,Ama uma indecência.A escravatura brasileira escritaSobre a base de um rito de escrever as negras.Nossa cultura.Grandes florestas da Ameríndia.A coroação portuguesa.A América escrita em espanhol.Um sotaque de autoridade.A intensa vaidade.O que éChico Buarque? Uma negra comida por trás:
- A indecência nacional transmutada em beleza.
A glória, as glórias nunca serão estanques.O ponto crítico que é o Rio de Janeiro,Esta estranha alegoria.Buarque.Pertenço aos de Holanda.“Tanto horror e iniqüidade” e putaria.Fria, a filha do senhor dono de negrosÉ fria.
- Hoje, a pátria tem bunda.
Morenas pias,Saborosas,Como frutas melequentas.Estrela fria, te orienta.Hoje, o sabor de alforria organiza o movimento.
- Brasil, eu amo tuas filhas!
Batismos de fogo e tristezas.Meu padroeiro de braços abertosSobre o Rio de Janeiro.Salvações crísticas.Ninguém tem certeza com Maria.O gado está bento.Ave, a filha que o sol queimou,Que me dá seus peitos.Subcristianismo tropical.
- Queremos,Porque queremos,O charme,O sossegoDesse Deus gregoDe olhos vítreos.Deus, salve as MariasTodas filhas deFrancisco.Água nos olhos,Sal na boca.A escrita sônica.As sereias.A verde saudadePor águas tão fundas.




Marcus Minuzzi, poeta, jornalista, professor.


MAIS:




quarta-feira, 27 de agosto de 2008

PERDEU A CABEÇA PERDENDO AS HORAS JOGOS, VIAGENS E A REGRA DE AMARRAR




Canoas, 23/08/08, meus amigos (do Ethon*)

ou: se tu falas muito, seja um banana universal e canta (na) tua(,) aldeia
Uma das mais terríveis tarefas, depois de poucas boas coletâneas, é responder na prática à proliferação de identificações rasteiras de obras e autores: Borges é autor de Ficções, mas também de infinitos clichés de um imaginário vivo que “Os olhos de Borges” soube teatralizar. Mas com Chico, ah, com chico é diferente, e cada um terá seu disco predileto, uma seleção do “essencial” do artista, uma noção do que é mais “clássico” no seu repertório, ou importante, e conseqüentemente criticará todos os demais recortes, num ajuizamento ordeiro. Estou para ver. O espetáculo em cartaz (no teatro de Câmara Tulio Piva) pela pesquisa Magdala em performance e convidados, Buarqueanas, apurou algumas idéias do querido trilhadas pelo próprio teatro, que tinha em tão alta conta pelo processo criativo e social. Resolvida a eleição imperativa do Francisco Buarque de Holanda em questão, na vertente “Calabar”, há tratos significativos com nostalgias e aspectos pitorescos, intensidades vivenciais e atualidade das cenas dramatizadas na interpretação que se retorcem no imaginário coreografado com louvor dos dramalhões e absurdos de vidas e mortes amorosas.
Quem está, ainda hoje, familiarizado com as disciplinas do amor apaixonado?
O cancioneiro fez-se carne, que se fez texto, sem parar a ação, que descansou (para explodir?) no palco, refrescando as inteligências. Na instauração de interações com as “figuras” presentificadas, com atuações bem conduzidas, também se amarram especificidades das artes cênicas nas nossas inefáveis formas de ser, registrando a marca religativa das pesquisas em curso no campo. Corpo é memória e é som, que é corpo e é história, memória em curso. O som é um clima e algo mais arranjado nos tratos com o homem por dentro de lances desejantes e lingüísticos que toda boa mitologia, filosofia e até mesmo psicologia desenvolvem. Os compostos de “as buarquianas” operam ainda com altos e baixos das próprias diversidades incontornáveis e inevitáveis de forma a agarrar melhor as múltiplas atenções do público na seqüência criativa da montagem, do tratamento de textos às encenações corporais oscilando para a expressiva contrastação (expressionista?) da naturalidade dos pensamentos. “Você vai participar” é mote que pode ser menos enganador, mas se exagero sem fazer escândalo é também por conhecer algumas outras pessoas na produção que entabulavam diálogos questionadores em plenas festas “climatizadas”, outra que tem trajetória na música e ainda a “diretora cênica” (magistral Arlete Cunha) com suas proposições pregnantes onde quer que estivesse(m), para não falar do iluminador ou d@s jovens “artistas-monumento” em cena.
A propósito, a proposta me pareceu incidentalmente novidadeira (me parece “ousadia”, ao menos bem mais que ignorância) , mas não freqüento os teatros, apesar dos indicadíssimos festivais na PoA, nem “li” maiores paradas do teatro pós-dramático: uma construção oficineira (?) arranjada (pesquisada), pelas ações cênicas, pelas tabelas do drama emendado na seqüência do encontro e pela apropriação que cada atuador realiza e opera sobre o material em jogo ou questão. Não há nenhuma benevolência para com o canto, o que me choca/ou: ele é costura à vista, crua em relação ao nosso couro, curtido com todos os vernizes sociais concebidos pelo velho Francisco, com que tão estreitamente trama. Ele é fruto dos encontros, da vida, sem paradas para empostações, sem a técnica dos conservatórios conhecidos, com a veia das ruas, a afetividade latejante das personas, a naturalidade em contraponto aquele com as figuras de comédia e outros legítimos jogos de caricaturização lúdica. Do canto se fala, do canto se cala. No prospecto também se fala, Alá seja louvado, da construção, do zelo pelo com-posicional, digamos, de quem tem aquela ingrata missão de cortar, deixar de fora, selecionar trechos e passagens da fortuna artística complexa do autor encenado.
Como não sou do ramo, fica a indicação para que, se algum parceiro da área resolver conferir, me passe uma letra opinativa ou mesmo noção, digamos, mais crítica. Passo a passo, o passado não passa, nem pára.


*ethon fonseca é filósofo, professor, quadrinista e amigo da galera!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

ENSAIO em preto e branco

tocadora de instrumento
anna
bárbara
calabar
mulheres de atenas


Teatro de Câmara Túlio Piva
Ensaio fechado - 28 de julho de 2008
Fotos: Lú Mena Barreto